sexta-feira, 16 de abril de 2010

Continua...

"Se haviam chances de que algo de bom acontecesse hoje,acabaram agora" foi exatamente o que ela pensou antes de ajeitar sua saia e entrar no ônibus amarelo. É assim,o mundo lá fora assusta,mas as vezes viver dentro de si assusta muito mais.
Não haviam chances de que algo interessante acontecesse... o passeio acabou,lá voltava ela para a casa conformada. Ela já sabia de tudo: iria chegar em casa,jogar seu velho casaco no chão e cansar. Cansar de saber que está sozinha nesse mundo,cansar de saber que aquele seria mais um fim de noite deprimente e acima de tudo,cansar de saber que existir pode doer à beça,mas existir sozinha dói muito mais.
Ela chega em casa e veste seu velho pijama de flanela,amarra os cabelos e vai até a janela para respirar. Respirar é preciso,por mais que viver não seja. A altura é tentadora... ela olha para os cantos,olha para um de seus pulsos,quase vendo um relógio imaginário. E esse relógio a revelava quanto tempo ela já havia perdido em toda a sua vida,todas as vezes em que ela se preocupou com pessoas que não ligavam para ela,todas as vezes em que ela saiu em vão procurando pessoas inexistentes capazes de preencher o vazio que ela sentia e principalmente,todas as vezes em que ela precisou de ajuda e nenhum de seus "amigos" estavam por perto. Mas ela nunca culpou ninguém. Ela nunca culpou ninguém por estar sempre com sua solidão,que de repente parecia a única companhia adequada. Realmente,a altura era tentadora...
Ela começou a pensar em todas as pessoas boas que passaram por sua vida,começou a pensar na quantidade de amor que ela recebia. Mas nada parecia suficiente,ainda que o suficiente fosse tão pouco quanto seu entusiasmo naquele momento. A altura era mais que tentadora... se tornava quase um convite.
Ela respirou fundo,chegou a ficar na ponta dos pés,olhou bem para baixo e... decidiu ligar para aquela amiga que ela não via há um bom tempo. Foi vontade de sentir a sensação de que se está tomando a decisão certa. Ela sabia que chegar ao final da linha sozinha não poderia ser mais triste do que chegar ao final da linha por opção. Então,ela decidiu correr o risco. Não foi falta de coragem,mas vontade de viver para confirmar que ela não era só nesse mundo.

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