Nem sei por onde começar. Só sei que estou mal... realmente mal. O mundo inteiro querendo que eu conte o que se passa. Uns querem saber para me ajudar,outros por curiosidade. Mas ambos ficarão sem resposta,pois nem eu mesma sei o que está acontecendo comigo.
Sinto o coração apertar,as lágrimas querendo cair. Mas não caem,é preciso que eu ache um motivo antes. Se eu pelo menos conseguisse chorar... teria por alguns momentos a ideia ilusória de que estou aliviada.
Estômago virado,rinite e todos os outros "ites" que eu tenho atacando. Talvez eu esteja mal apenas fisicamente,e esteja levando tudo isso para o lado emocional. Mas não. Provavelmente é algo mais forte que estômago virado e dor na nuca.
Apago as luzes do mesmo jeito que gostaria de apagar algumas memórias. Acendo minha luminária e a luz surge. Surge calma,transparente... assim como eu gostaria que algumas pessoas fossem de vez em quando. Olho para o teto onde imagens caleidoscópicas se formam com luzes em vermelho,verde e azul,vindas da luminária. Quero pegar as luzes com a mão,entrar nelas,ser as luzes. Mas isso é tão possível quanto paz de espírito,nesse momento. Sem frustrações. Desde sempre soube que quero tudo que não existe,tudo que é impossível.
Queria profundamente abrir a janela,respirar. Acabou de chover,adoro respirar o ar por onde a chuva passou. Adoro escrever usando a luz do poste da rua. Se ela chega no meu quarto,porque não usa-la?
Não estou completamente só,eu tenho as luzes. As luzes não dizem coisas quando eu não quero ouvir,elas não são volúveis como os seres humanos. Elas estão sempre piscando para você,mesmo quando você põe o travesseiro na cara querendo esquece-las.
De repente,um barulho. Vidro caindo no chão,se assemelha ao barulho da morte quando você acha que ela vai chegar; A luminária! caiu,quebrou,já era. Não tenho coragem de abrir os olhos... a escuridão profunda deve dar medo,quando não tem ninguém por perto. Mas logo encaro,vou abrindo os olhos pouco a pouco.
No teto,ainda há uma luz. Mas essa não pisca como a luz da luminária. Ela é constante,irradiante. Quando procuro,percebo que ela vem de dentro de mim. É essa a luz,que nunca se apaga.
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